Antena MEC
Momento Literário traz as cores do outono na poesia de Cecília Meireles
Katy Navarro apresenta em sua crônica literária semanal o poema 'Canção de outono', de Cecília Meireles

O começo do outono no Brasil é tambem a chegada de um clima mais ameno e de forte inspiração para escritores. É um tempo onde se convive com o quente e o frio, com a sombra e o sol com as folhas amareladas que caem das árvores, enquanto novas folhas surgem apontando a vida. Essa dualidade da estação outono, com suas diferentes nuances e cores, sentimentos e emoções pode ser uma das explicações para que tantos poetas tenham escolhido esta estação do ano para tecer versos. Confira no player acima a última edição do Momento Literário, no Antena MEC.
Cecília Meireles soube fazer isso com maestria e de forma sonora, com rima é métrica, provoca beleza e indignação diante da impotência de se fazer algo para impedir que as folhas secas das árvores caiam e morram. São folhas que vão ao chão, lugar onde muitos dormem, perdidos do amor e sob o olhar de muitos que passam indiferentes às dificuldades sociais. Cecília Meireles no poema “canção de outono” reflete sobre o nascimento e a morte, o que se perde e o que se conquista, a fragilidade humana e a solidão.
canção de outono
perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
de que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?
e não pude levantá-la!
choro pelo que não fiz.
e pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
perdoa-me, folha seca!
meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão…
tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
deixo-te a minha saudade
– a melhor parte de mim.
certa de que tudo é vão.
que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão…
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