Antena MEC
Momento Literário aborda obra de Cristino Wapichana
Katy Navarro destaca o trabalho do escritor e compositor do povo indígena wapichana, Cristino Wapichana

Nascido em Boa Vista, Roraima, em 1971, Cristino Wapichana é um autor premiado. Publicou 5 livros: “A onça e o fogo”; “Sapatos trocados”; “A oncinha lili”; “A boca da noite”, e “O cão e o curumim”. São todos para o público infanto-juvenil e com o objetivo de encantar as crianças com histórias que nascem da cultura indígena, mas que servem a todas as culturas.
É na liberdade de expressão que Cristino Wapichana se baseia para formar histórias e personagens. Com o trabalho dele, colabora para a difusão da cultura indígena para crianças e jovens e atua como produtor do encontro de escritores e artistas indígenas.
Ele costuma dizer que a música é muito próxima da literatura, que a arte em si é livre. Os seres podem passear por diversas artes e por várias linguagens. É um autor que quando começa a escrever, pensar e refletir, gosta de ouvir uma música e pode ouvir muitas vezes a mesma música enquanto vive o processo de criação.
Em um de seus livros, “A boca da noite”, que tem ilustrações de Graça Lima, o leitor é levado para a realidade dos povos indígenas em uma história cheia de surpresas. Com poesia, Cristino Wapichana conta um pouco da infância, da família e do cotidiano do povo wapichana.
No livro, os irmãos Dum e Kupai tentam encontrar respostas para algumas perguntas: o que será que acontece quando o sol mergulha no mar? será que ele toma banho antes de dormir? e, depois disso, será que ele passa a noite dormindo dentro do próprio rio?
Mas para chegarem a alguma conclusão, sobem na laje do trovão, o lugar mais perigoso da aldeia. O medo aumenta quando o pai utiliza a expressão “boca da noite” e Kupai fica imaginando que se a noite tem boca, deve também ter cabeça e corpo, além de ser enorme.
É um texto que mexe com a criativiade do leitor e o leva por caminhos da fantasia em meio à natureza e ao universo indígena.
Os desenhos remetem à arte do povo indígena como a cerâmica, a pintura do corpo e ao grafismo. São usadas cores quentes e vibrantes para o dia na floresta e tons sombrios para a noite e os mistérios selvagens. Tudo de forma a atrair o pequeno e jovem leitor para o mundo da literatura, para um espaço, onde segundo Cristino Wapichana, não existe uma estrada reta, mas com curvas.
O rio tem curvas e essas curvas têm que existir porque fazem a diferença em uma boa história. Na estrada do tempo, Cristino Wapichana vem trafegando por curvas e retas, misturando obstáculos com êxitos e seguindo com a arte como forma de transformação. Usa a literatura e a música para dar voz ao indígena e resgata em personagens encantadores a magia de um povo que resiste.
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