Episódio

Música e Músicos do Brasil

180 anos de nascimento de Brasílio Itiberê da Cunha

Programa homenageia um dos personagens mais singulares da música brasileira do século XIX

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O Música e Músicos do Brasil deste sábado (1º) celebra os 180 anos de nascimento de Brasílio Itiberê da Cunha, um dos personagens mais singulares da música brasileira do século XIX.

Pianista, compositor, diplomata e escritor, Brasílio Itiberê levou a música brasileira para diferentes países, deixando uma obra que ajudou a abrir caminhos para a construção de uma identidade musical nacional. Ele nasceu em Paranaguá (no Paraná), em primeiro de agosto de 1846, e cresceu em uma família ligada à música e às letras. Estudou primeiro violino, mas logo adotou o piano como instrumento principal. Ainda jovem já se apresentava em concertos no Paraná e, mais tarde, se mudou para São Paulo para cursar Direito. 

A intensa vida cultural da Faculdade de Direito, marcada por saraus e apresentações musicais, ofereceu o ambiente ideal para que Brasílio Itiberê se destacasse como pianista e compositor. Foi justamente durante esse período que Brasílio Itiberê publicou a obra que marcaria definitivamente seu nome na história da música brasileira: “A Sertaneja”, fantasia para piano baseada na canção popular "Balaio, meu bem, balaio". Unindo o virtuosismo do piano romântico europeu a uma melodia popular brasileira, a obra tornou-se um marco da música de concerto nacional e uma das precursoras do nacionalismo musical brasileiro.

Brasílio Itiberê também participou de iniciativas ligadas ao movimento abolicionista, apresentando-se em concertos beneficentes e colaborando com campanhas pela libertação de pessoas escravizadas. Após concluir o curso de Direito, ingressou na carreira diplomática e viveu por mais de quarenta anos entre a Europa e a América do Sul, servindo em cidades como Berlim, Roma, Bruxelas, Assunção e Lisboa, e conciliando a atividade diplomática com uma intensa vida musical.   

O compositor frequentou salões, academias e concertos, conheceu nomes como Franz Liszt, Anton Rubinstein e Giovanni Sgambati, e manteve estreita relação com Carlos Gomes, se tornando um importante divulgador da música e da cultura brasileiras no exterior. Além de compor, Itiberê escrevia sobre literatura, artes e economia, e defendia o fortalecimento da educação técnica e da presença cultural brasileira em outros países.

A produção de Brasílio Itiberê é formada principalmente por obras para piano, incluindo valsas, mazurcas, noturnos, barcarolas, gavotas, fantasias e estudos de concerto. Embora escrevesse dentro da linguagem do romantismo europeu, ele frequentemente incorporava referências brasileiras. A sua composição “A Sertaneja” é uma das primeiras obras de concerto a utilizar explicitamente uma melodia popular do país. Após sua morte, que ocorreu em Berlim, em 11 de agosto de 1913, grande parte de sua produção permaneceu esquecida. Nas últimas décadas, porém, novas edições, gravações e pesquisas vêm recuperando seu legado, reafirmando Brasílio Itiberê como um dos pioneiros da música brasileira e uma figura fundamental na aproximação entre a cultura nacional e o cenário internacional.

O Música e Músicos do Brasil vai ao ar neste sábado, às 19h, na Rádio MEC.

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Episódio do programa Música e Músicos do Brasil

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