Caderno de Música
Reinhold Glière é o homenageado do Caderno de Música
O programa lembra os 70 anos de morte do compositor russo

Foto: Autor desconhecido, via commons.wikimedia.org
O Caderno de Música deste domingo (21) lembra os 70 anos de morte de Reinhold Glière, figura importante da música russa e soviética.
Nascido em Kiev em 1875, Glière construiu uma carreira marcada pelo apego à tradição romântica, técnica refinada e riqueza orquestral, além da incorporação de elementos folclóricos de diferentes regiões do antigo Império Russo, como a Ucrânia e o Azerbaijão. Filho de fabricantes de instrumentos musicais, ele estudou violino ainda jovem e ingressou no Conservatório de Moscou em 1894, onde teve contato com mestres como Sergei Taneyev, Anton Arensky e Mikhail Ippolitov-Ivanov. Glière se formou em 1900 com medalha de ouro em composição, iniciando uma trajetória que o transformaria em um dos músicos mais respeitados de sua geração.
Entre os anos de 1905 e 1908, Glière aperfeiçoou seus estudos de regência em Berlim, ampliando suas referências musicais e absorvendo influências de Wagner, Richard Strauss e Debussy. Seu primeiro grande sucesso foi o poema sinfônico “As Sereias”, de 1908 e, pouco depois, surgiria sua principal obra-prima: a monumental “Sinfonia nº 3”, inspirada nas lendas do herói épico russo Ilya Muromets, sendo uma das mais ambiciosas sinfonias do romantismo tardio russo.
Além de compositor, Glière teve papel fundamental na formação musical de várias gerações, atuando como diretor do Conservatório de Kiev a partir de 1914 e como professor do Conservatório de Moscou desde 1920, tendo, entre seus alunos, nomes como Sergei Prokofiev, Nikolai Myaskovsky e Aram Khachaturian. A sua música permaneceu fiel ao romantismo tardio, combinando lirismo, formas tradicionais e elementos folclóricos russos, ucranianos, azerbaijanos e de outras culturas da região. Devido ao seu estilo acessível e sua postura apolítica, ele foi amplamente condecorado pelo Estado Soviético, sendo reconhecido como um pilar do Realismo Socialista.
A partir da década de 1920, Glière se voltou intensamente para o teatro musical, e entre suas obras mais importantes estão a ópera “Shakh-Senem”, construída a partir de materiais folclóricos do Azerbaijão; e o balé “A Papoula Vermelha”, considerado um marco do balé soviético. Nas décadas finais de sua vida, ele recebeu inúmeras distinções oficiais e continuou compondo até pouco antes de sua morte, em 23 de junho de 1956, aos 81 anos de idade. Sete décadas depois, sua obra permanece como uma das mais expressivas sínteses entre a tradição romântica russa, a maestria do colorido orquestral, o compromisso inabalável com o lirismo tonal e as influências folclóricas do vasto mundo eslavo e eurasiático.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, meio-dia e meia, aqui, na Rádio MEC. Clássica e atual.
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