Caderno de Música
Ouça uma homenagem à Franz Xaver Süssmayr
Programa destaca a vida e a obra de um compositor que fez parte da intensa cena musical vienense do fim do século XVIII
O Caderno de Música deste domingo (19) celebra os 260 anos de nascimento do compositor austríaco do Período Clássico, Franz Xaver Süssmayr. Embora seu nome seja lembrado principalmente pela conclusão do célebre “Réquiem” de Mozart, Süssmayr construiu uma carreira própria como compositor e regente, sendo uma figura bastante conhecida na vida musical vienense de seu tempo.
Nascido em Schwanenstadt, na Alta Áustria, em 22 de julho de 1766, Franz Xaver Süssmayr iniciou sua formação musical ainda na infância e prosseguiu os estudos na Abadia de Kremsmünster, onde compôs sinfonias, cantatas e música sacra para o teatro do mosteiro. Mais tarde mudou-se para Viena, aprofundando sua formação e iniciou uma trajetória ligada ao universo da ópera.
E foi em Viena que Süssmayr conheceu Wolfgang Amadeus Mozart, com quem cultivou uma relação de amizade e colaboração profissional. Em 1791, Süssmayr acompanhou Mozart em Praga para a estreia de “La clemenza di Tito” e, a pedido do próprio compositor, escreveu os recitativos seccos da ópera. Ele também trabalhou como copista em obras como “A Flauta Mágica” e esteve próximo de Mozart em seus últimos meses de vida.
Após a morte de Mozart, sua esposa Constanze Mozart desejava concluir o Réquiem, que havia ficado inacabado. Depois das tentativas de outros colaboradores, coube a Süssmayr finalizar a partitura. Sua versão tornou-se a mais conhecida e continua sendo amplamente executada até hoje, embora musicólogos ainda discutam até que ponto ela segue esboços deixados por Mozart.
Durante muito tempo, Franz Xaver Süssmayr foi injustamente reduzido ao papel de continuador do Réquiem de Mozart. O compositor, porém, foi um importante nome no desenvolvimento musical de seu período, atuando como diretor musical de importantes teatros vienenses, e compondo óperas, música sacra, cantatas e obras orquestrais. Sua ópera “Der Spiegel von Arkadien” (O Espelho de Arcádia), apresentada em 1794, alcançou grande sucesso e circulou por diversos teatros europeus, consolidando sua reputação na Viena do fim do século XVIII.
Ao longo do tempo, a obra de Franz Xaver Süssmayr passou a ser vista de forma bastante diferente daquela de sua própria época. Enquanto críticos do século XIX apontaram a falta de maior originalidade e profundidade poética em suas composições (embora reconhecessem o caráter melodioso e cantável de sua escrita), o público de seu tempo acolheu suas obras com entusiasmo. Além disso, sua atuação como compositor e regente lhe garantiu lugar de destaque na cena musical vienense. Sua trajetória também nos lembra que o Classicismo não foi construído apenas pelos grandes gênios hoje consagrados (como Mozart, Haydn e Beethoven), mas também por muitos músicos que deram forma ao repertório e à vida musical de seu tempo.
Franz Xaver Süssmayr morreu precocemente, em Viena, em 17 de setembro de 1803, aos 37 anos. Nos últimos anos, parte de sua produção tem voltado aos palcos e aos estúdios de gravação, convidando o público a redescobrir um compositor cuja história vai muito além da conclusão do Réquiem de Mozart.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.
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