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Caderno de Música

Especial 220 anos de Johann Kaspar Mertz

Programa homenageia um dos mais importantes compositores e virtuoses do violão no século XIX

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Foto: Fonte: IMER

O Caderno de Música, deste domingo (30), destaca a trajetória de Johann Kaspar Mertz, um dos mais importantes compositores e virtuoses do violão no século XIX, em homenagem aos seus 220 anos de nascimento. Mertz aproximou o instrumento da linguagem musical do Romantismo, incorporando à escrita para violão referências de compositores como Beethoven, Schubert, Mendelssohn, Chopin, Schumann e Liszt.

Caspar Joseph Mertz nasceu em 17 de agosto de 1806, em Pressburg, atual Bratislava, na Eslováquia, então parte do Império Austríaco. Curiosamente, ele nunca utilizou o nome completo em suas apresentações ou publicações, preferindo as iniciais “J. K.”. A forma “Johann Kaspar Mertz” só apareceu em uma publicação alemã sobre violão em 1901 e acabou sendo repetida posteriormente.

Mertz se estabeleceu em Viena por volta de 1840, quando a cidade tinha uma importante tradição violonística, sendo residência de nomes como Mauro Giuliani, Anton Diabelli, Wenceslaus Matiegka e Simon Molitor. Ele também alcançou grande reputação como intérprete, realizando turnês pela Morávia, Polônia e Rússia, entre outras regiões.

A música de Johann Kaspar Mertz se distingue daquela produzida pela maioria de seus contemporâneos, principalmente por suas referências pianísticas e românticas. Enquanto Fernando Sor e Dionisio Aguado permaneciam mais próximos dos modelos clássicos de Haydn e Mozart, e Giuliani se aproximava do bel canto de Rossini, Mertz incorporou à linguagem do violão procedimentos associados a Chopin, Mendelssohn, Schubert, Schumann e, sobretudo, Liszt. Entre suas obras mais importantes estão os Bardenklänge, ou “Sons dos Bardos”, op. 13, de 1847, uma coleção de peças de caráter inspirada no universo musical de Robert Schumann. Também se destacam as grandes fantasias La rimembranza, Pensée fugitive e Harmonie du soir, consideradas uma trilogia e apontadas como suas peças tecnicamente mais exigentes, com forte influência da música para piano de Liszt.

A carreira de Mertz sofreu dificuldades após a Revolução Húngara de 1848, quando muitos de seus alunos e parte de seu público deixaram a região, comprometendo sua renda. As circunstâncias melhoraram nos anos seguintes e, em 1855, Mertz e sua esposa (a pianista Josephine Plantin) chegaram a se apresentar para a família imperial em Salzburgo. Em 1856, já próximo do fim da vida, ele participou de um concurso de composição para violão em Bruxelas, recebendo o primeiro prêmio pelo seu Concertino per Chitarra sola. Infelizmente, o compositor morre em 14 de outubro deste mesmo ano, antes de saber do resultado do concurso.  

A obra de Johann Kaspar Mertz representa uma importante transformação na escrita para violão no século XIX. Ao aproximar o instrumento das formas, da expressividade e da sonoridade do piano romântico, ele ampliou suas possibilidades técnicas e poéticas. Duas de suas principais contribuições, os Bardenklänge e a trilogia formada por La rimembranza, Pensée fugitive e Harmonie du soir, permanecem como referências do repertório violonístico e ajudam a explicar o lugar singular de Mertz na história do instrumento.

O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12:30, na Rádio MEC.

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