Caderno de Música
Entenda a relação entre Ludwig van Beethoven e Napoleão Bonaparte
O Caderno de Música traz mais uma edição da série "Música e História"
O Caderno de Música deste domingo (27) traz mais uma edição da série “Música e História” e aborda a relação entre Ludwig van Beethoven e Napoleão Bonaparte, e sobre como os acontecimentos políticos e militares da época deixaram marcas na vida e na obra do compositor.
No início do século XIX, Beethoven acompanhava com interesse as transformações políticas provocadas pela Revolução Francesa. Nesse contexto, Napoleão Bonaparte, então Primeiro Cônsul da França, chegou a representar para o compositor a figura de um líder associado aos ideais de liberdade e aos valores republicanos. E essa relação está no centro da história da Terceira Sinfonia. Beethoven começou a trabalhar na obra em 1803 e, inicialmente, pretendia dedicá-la a Bonaparte. Segundo o depoimento de Ferdinand Ries, Beethoven admirava Napoleão e o comparava aos grandes cônsules da Roma Antiga. Mas, em maio de 1804, Bonaparte se proclamou imperador dos franceses e, ao receber a notícia, Beethoven teria reagido com indignação. Para ele, a transformação daquele líder republicano em imperador significava a traição dos ideais que havia associado à sua figura. A reação ficou registrada no próprio manuscrito da sinfonia: o nome de Bonaparte foi riscado com tanta força que chegou a perfurar o papel. A obra, porém, continuou associada ao nome de Bonaparte, e foi somente em 1806, na publicação da sinfonia, que surgiu o subtítulo que conhecemos hoje: “Sinfonia nº 3 – Heroica, composta para celebrar a memória de um grande homem. A dedicatória, então, passou ao príncipe Lobkowitz.
A história da “Eroica” revela, assim, uma mudança musical que refletiu algumas questões políticas da época. A figura de Napoleão passou, para Beethoven, de possível símbolo de uma nova ordem política a exemplo daquilo que ele próprio rejeitava, que era a concentração de poder nas mãos de um governante. E essa passagem ajuda a compreender o caráter heroico e revolucionário que a sinfonia assumiria na história da música.
Poucos anos depois, a guerra napoleônica atingiria Beethoven de maneira muito mais próxima.Em 1809, a Áustria entrou novamente em guerra contra a França. E, com o avanço das tropas francesas sobre Viena, a família imperial deixou a cidade e seguiu para a Hungria. Entre os que partiram estava o arquiduque Rodolfo, aluno, amigo e um dos principais patronos de Beethoven. Foi por ocasião dessa partida que Beethoven começou a compor a Sonata para piano Op. 81a. Com os movimentos intitulados “O Adeus”, “A Ausência” e “O Retorno”, acompanhando musicalmente a separação e o reencontro entre Beethoven e o arquiduque.
Alguns anos depois, a relação de Beethoven com as guerras napoleônicas aparece mais uma vez em uma obra de caráter muito diferente. Em 21 de junho de 1813, as tropas comandadas pelo duque de Wellington derrotaram o exército francês na Batalha de Vitória, no norte da Espanha. A notícia chegou a Viena pouco mais de um mês depois e inspirou Beethoven a compor “A Vitória de Wellington”, Op. 91, que retrata musicalmente a batalha e a celebração da vitória. Beethoven utiliza, inclusive, melodias já conhecidas que eram associadas aos dois lados do conflito: “Marlborough”, para representar os franceses, e “Rule Britannia”, para os britânicos.
Confira mais no Caderno de Música, que vai ao ar neste domingo, às 12:30, na Rádio MEC. O programa teve a apresentação de Toni Villani, com pesquisa, roteiro e produção de Carina Amorim.
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