Caderno de Música
130 anos de morte de Antônio Carlos Gomes
A edição acompanha parte de sua trajetória e algumas de suas principais obras vocais, com destaque para as óperas e as modinhas

Foto: Acervo
O Caderno de Música deste domingo (06) e da próxima semana lembra os 130 anos de morte de Antônio Carlos Gomes, um dos principais compositores brasileiros do século XIX e o primeiro compositor das Américas a alcançar projeção duradoura nos grandes teatros de ópera da Europa. Nesta edição, vamos acompanhar parte de sua trajetória e conhecer algumas de suas principais obras vocais, com destaque para as óperas e as modinhas.
Nascido em Campinas, em 11 de julho de 1836, Carlos Gomes iniciou os estudos musicais ainda criança, orientado pelo pai, Manoel José Gomes, mestre de capela e importante figura da vida musical da cidade. A infância foi marcada por dificuldades financeiras e pela perda precoce da mãe. Ainda jovem, Carlos Gomes dividia o tempo entre o trabalho e os estudos de música. Aos quinze anos, já havia composto valsas, quadrilhas e polcas. E aos dezoito, escreveu sua primeira grande obra sacra, a “Missa de São Sebastião”, dedicada ao pai.
Ainda na juventude, Carlos Gomes se mudou para São Paulo. E foi nesse período que compôs o famoso “Hino Acadêmico” e algumas de suas primeiras canções, entre elas a modinha “Quem sabe?”, com letra de Bittencourt Sampaio. Aliás, a modinha ocupa um lugar importante na produção vocal do compositor e revela um aspecto de sua obra que vai além da produção operística pela qual se tornou conhecido.
A aproximação de Carlos Gomes com o teatro lírico aconteceu ainda no Brasil. Sua primeira ópera, “A Noite do Castelo”, estreou no Rio de Janeiro em 1861 e conquistou tanto o público quanto a família imperial. O sucesso contribuiu para que o compositor recebesse uma bolsa de estudos na Europa, o que foi decisivo para sua carreira. Na Itália, Carlos Gomes aperfeiçoou sua formação e passou a atuar em um dos principais centros da ópera mundial. Em 1870, alcançou o maior sucesso de sua carreira com “O Guarani”, baseada no romance de José de Alencar. Estreada em Milão, a ópera teve grande repercussão e foi apresentada em diferentes países da Europa e das Américas.
Depois de “O Guarani”, Carlos Gomes continuou sua trajetória italiana com óperas como “Salvador Rosa”, “Maria Tudor” e “Fosca”. Esta última ocupava um lugar especial para o compositor, que a considerava sua principal realização artística. De volta ao Brasil, Carlos Gomes ainda escreveria “O Escravo”, estreada no Rio de Janeiro em 1887. Embora a ópera tenha sido composta na Europa, sua famosa abertura, “Alvorada”, nasceu durante uma temporada do compositor na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro.
Nos últimos anos, Carlos Gomes enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde. Em 1895, aceitou o convite para dirigir o Conservatório de Música de Belém, no Pará, mas, já bastante debilitado por um câncer, acabou morrendo no ano seguinte, em 16 de setembro de 1896, aos sessenta anos.
O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12:30, na Rádio MEC.
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