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Caderno de Música

Conheça a vida e a obra do compositor Ambroise Thomas

O programa destaca os 215 anos do compositor francês

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Foto: Wikimedia Commons/Domínio Público

O Caderno de Música deste domingo (2) celebra os 215 anos de nascimento do compositor francês Ambroise Thomas, um dos principais representantes da ópera francesa do século XIX. Autor de mais de vinte óperas, ele alcançou fama internacional principalmente com “Mignon” e “Hamlet”, obras que circularam por toda a Europa e marcaram profundamente o repertório francês.

Nascido em Metz, em 5 de agosto de 1811, Ambroise Thomas cresceu em uma família de músicos. Ainda criança, se destacou como pianista e violinista e, aos dezessete anos, ingressou no Conservatório de Paris. Ele estudou piano, harmonia e composição com alguns dos principais professores franceses e, em 1832, conquistou o prestigiado Grand Prix de Rome. O prêmio lhe garantiu três anos de estudos na Villa Medici, sede da Academia Francesa em Roma, onde o compositor aprofundou sua admiração por Mozart e Beethoven, recebeu o incentivo de Hector Berlioz e escreveu suas primeiras obras de música de câmara, antes de retornar a Paris e dedicar-se definitivamente ao teatro musical.

A estreia de Ambroise Thomas na ópera aconteceu em 1837 com La double échelle, que foi elogiada por Berlioz pela vivacidade e pelo humor. Vieram depois títulos como “Le caïd”, “Le songe d'une nuit d'été” e “Raymond”, que consolidaram sua reputação na Opéra-Comique. Ao mesmo tempo, Thomas iniciou uma longa carreira no Conservatório de Paris, tornando-se professor de composição em 1856, tendo, entre seus alunos, nomes como Jules Massenet, George Enescu e Théodore Dubois.

O grande momento da carreira de Ambroise Thomas chegou na década de 1860. Em 1866, ele estreou a ópera “Mignon”, baseada em Goethe, que rapidamente se tornou um dos maiores sucessos da Opéra-Comique, ultrapassando mil apresentações. Dois anos depois veio “Hamlet”, inspirada na tragédia homônima de Shakespeare, tornando-se outro marco da ópera francesa do período.

Em 1871, Ambroise Thomas assumiu a direção do Conservatório de Paris, sucedendo Daniel Auber. Como administrador, ampliou o ensino de solfejo, leitura à primeira vista e prática orquestral. Ao mesmo tempo, ficou conhecido pela postura conservadora, defendendo a tradição operística francesa e resistindo à influência de compositores como Wagner, César Franck e Gabriel Fauré. Depois de “Hamlet”, o compositor se dedicou principalmente ao ensino e à administração, compondo poucas obras até sua morte, 12 de fevereiro de 1896. Embora sua música tenha sido pouco executada durante boa parte do século 20, Ambroise Thomas voltou a ser valorizado nas últimas décadas. Pesquisadores destacam sua habilidade para caracterizar musicalmente os personagens, a elegância de sua escrita vocal e o refinamento de sua orquestração. Hoje, especialmente graças às frequentes remontagens de suas óperas, seu nome recupera o lugar de destaque entre os grandes compositores da ópera francesa do século XIX.

O Caderno de Música vai ao ar neste domingo, às 12h30, na Rádio MEC.

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