Episódio

Bossamoderna

Bossamoderna celebra o Dia da Consciência Negra

"Tributo a Martin Luther King" na voz de Simonal, e Ellen Oléria canta

Publicado em

Nas vésperas do Dia da Consciência Negra, o Bossamoderna seleciona algumas canções de modernistas com diferentes abordagens da negritude. Como a composição do paraibano Chico César, “Respeitem os meus cabelos, brancos”. Dele também é o reggae “Negão”, faixa de seu mais recente disco, “Estado de poesia”, em que dueta com o cantor baiano Lazzo Matumbi.

O paulista de Tietê, Itamar Assumpção, lanceta a questão: “Eu tenho o cabelo duro/ mas não o miolo mole/ sou afro-brasileiro puro/ é mulata minha prole”. Canta Zélia Duncan. Em “Negro é lindo”, Jorge Ben traduziu o lema que emergiu nos Estados Unidos na era dos Panteras Negras. No original, em “Black is Beautiful”, os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle alfinetaram o preconceito. Canta Elis Regina. Também da dupla de irmãos compositores é “Batucada surgiu”, na voz da maior intérprete de Noel Rosa, Aracy de Almeida, em rara comunhão com o conjunto do bossanovista Roberto Menescal.

Brasiliense de Taguatinga, rara artista projetada no programa de calouros The Voice, da TV Globo, Ellen Oléria recria o épico redentor de Jorge Ben, “Zumbi”. Ela também é relevante compositora, como demonstra na farpada “Testando”. O capixaba Roberto Menescal e o carioca Ronaldo Bôscoli escreveram “Negro”, que o mineiro de Cataguazes, Lúcio Alves, gravou no disco “Balançamba”, de 1963. Também de Bôscoli, mas em parceria com o cantor da música, o carioca Wilson Simonal, é o “Tributo a Martin Luther King”, de 1967. Em 1964, no disco “Pery muito mais bossa”, o cantor carioca Pery Ribeiro singrava o “Canto negro”, de Durval Ferreira e Lula Freire. Lançado num álbum póstumo, que esquadrinhou fitas gravadas ao longo da carreira por Taiguara, seu manifesto pessoal: “Sou negro”. O genial campista Wilson Batista dissecou com o capixaba Marino Pinto “Preconceito”, sucesso de Orlando Silva, em 1941, e de João Gilberto, em 1986. O paulista Renato Braz homenageia o baiano recriando a música, ao lado do clarinete de Nailor Proveta e o violão de Edson Alves. Composição dos pilares baianos Dorival Caymmi e Jorge Amado, “Retirantes” ganha uma versão comovente da brasiliense Luciana Oliveira com participação das Ganhadeiras de Itapoã e Mateus Aleluia, do grupo Tincoãs. E essa edição consciência negra do Bossamoderna acaba em samba – enredo. “Nosso nome, resistência”, parceria de Nei Lopes com Zé Luis e Sereno, faixa do disco de Nei, “Canto banto”, de 1995. 

Publicado em

Atualizado em

Episódio do programa Bossamoderna

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Escolha sua manifestação em apenas um clique.